quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Qumran e o Cânone


Há dias numa «conversa» com amigos falámos das importantes descobertas arqueológicas de 1947, em Qumran, junto ao Mar Morto e questionávamos a importância desses inúmeros manuscritos, e de outros que se possam vir a descobrir, para o cânone da Bíblia. Se hoje se encontrasse mais um manuscrito, por exemplo de Paulo, de autenticidade demonstrada (tanto quanto é possível...), poderiamos considerá-lo «divinamente inspirado» mesmo não pertencendo à Bíblia conforme a conhecemos?

4 comentários:

Anónimo disse...

Sabendo-se hoje que a literatura judaica e judaico-cristã foi riquíssima, e que o cristianismo se espalhou pelo imenso império romano, haverá sempre a possibilidade teórica de virmos a ter conhecimento de mais descobertas de manuscritos algures.
O que tem sido descoberto tem sido muito importante para confirmar ou preencher lacunas do nosso conhecimento sobre a época, o pensamento e a vivência das comunidades cristãs e não cristãs de então.
Hoje sei que estas situações são acolhidas com interesse pela nossa Igreja, que usa de rigor e seriedade para estudar, também com critérios científicos, esses manuscritos.
Aproveito para dizer que me incomoda a ignorância e a indiferença de muitos crentes que, desconhecendo o que se faz ao nível da Igreja, se deixam seduzir e confundir por qualquer livro dum pseudo especialista, ou por programas que vejam na televisão a “revelar” mistérios inconfessáveis e verdades escondidas pela Igreja...
Quanto à questão em concreto, o canone foi uma decisão fundamentada e amadurecida que, embora objecto de algumas polémicas normais, se tem mantido consistente, apesar das descobertas arqueológicas, apesar das inúmeras polémicas teológicas, e, sobretudo, apesar da imensa força de vários movimentos filosóficos e do ateísmo do sec. XX.
É uma hipótese improvável, mas para mim seria fantástico se ainda viessemos a aceder a mais algum texto perdido, por exemplo desse irrequieto Paulo sempre inquieto com as suas comunidades. Não acrescentando certamente nada à mensagem central de Jesus Cristo, seria estou certo,mais um testemunho de fé vibrante´e apaixonada.
Quanto à composição da Bíblia, (brincando com coisas sérias), acho que, como a maioria dos crentes a conhece tão mal se calhaar nem iam dar pela diferença...

Anónimo disse...

se aparecer um novo manuscrito?... penso que poderia ser comprovada a "inspiração divida"... não acredito muito que viesse a fazer parte do Cânone... mas se fosse tão belo como "1 Corintios 13", não seria um bom motivo para alterar a Bíblia? concordo com o comentário anterior: infelizmente, poucos dariam pela alteração!

Naneninonu disse...

Concordo! Não devemos olhar só ao que é exposto pelos media, devemos questionar e permitir que se comprove o que está descrito. Não é ver para crer, mas também não é acreditar em tudo o que se vê. E claro seria importante para crescer na compreensão da fé. Beijinhos

Anónimo disse...

De 17 a 26 de Abril estive numa peregrinação pela Terra Santa. Um dos lugares visitados foi também Qumran. Na terça-feira 24 percorri a pé o sítio arqueológico onde vivia aquela comunidade essénia, e, naturalmente, não pude deixar de pensar nas polémicas e expeculações daqueles que apressadamente antecipavam a contestação da autenticidade dos textos evangélicos.
Mas, o mais importante, foi sem dúvida puder percorrer todos os lugares por onde viveu Jesus a sua humanidade.
Regressei convicto que todo o cristão deveria uma vez na vida visitar os lugares santos na Terra Santa.
É um modo de fazer com que tudo faça mais sentido.
Fica a sugestão...